A polêmica dos erros no Livro Didático de Português e Matemática

Durante a minha vida escolar, apesar de que estamos em aprendizagem constante, não me recordo da utilização de um livro didático em que o conteúdo apresentasse as normas Culta e Popular e ainda informando que a última poderia ser considerada correta, dependendo da região que fosse utilizada.

O MEC diz “O reconhecimento da variação lingüística é condição necessária para que os professores compreendam o seu papel de formar cidadãos capazes de usar a língua com flexibilidade, de acordo com as exigências da vida e da sociedade. Isso só pode ser feito mediante a explicitação da realidade na sala de aula”, leia aqui. O que dizer de nós que aprendemos essa variação sem que o livro ou o professor nos apresentasse e nem por isso nos sentimos discriminados?

O colunista, Luiz Antonio Giron, da revista Época, diz que a polêmica em cima do tema foi, aos poucos, sendo esquecida. Ele considera que foram apenas enganos e explica seu pensamento a respeito do assunto. Leia aqui.

A discriminação existe, mas nada que a famosa “educação de berço” não resolva. Afinal, quando eu era menina pequena, lá em Barbacena”(rsrs), em idade escolar, me ensinaram que falar e escrever errado é muito feio, principalmente se você freqüentava escola e tinha a chance de aprender a forma correta. Sabemos que o aprendizado daquilo que não é correto é imediato, nem precisamos de muitas explicações. Às vezes isso acontece sem que nenhum esforço seja feito.

E o que falar dos erros no livro de Matemática? Saber que o livro de Português continha algumas expressões utilizadas na Norma Popular é uma situação de mais fácil aceitação, pois sabemos que existem diferentes formas de conversação característica de cada região do País. Agora, o livro conter erros em operações básicas, como subtração, é um tanto quanto inaceitável. Como você se sentiria ao saber que seu filho, irmão, primo,… estaria estudando num livro que mostrasse nos exemplos dessas operações, contas do tipo 10-7=4 e 16-8= 6? Eu, como educadora que sou, ficaria muito decepcionada.

Para a Senadora Marisa Serrano (PSDB – MS), “são erros básicos, grosseiros”. Já para Daniel Cara, coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, o erro é gravíssimo.

O MEC reconhece o erro nos livros que eram destinados a educação no campo e diz que vai investigar. Maiores informações você tem aqui.

A mídia escrita ou falada, informa que o Ministro da Educação Fernando Hadad, deverá ser convocado pelo senado para dar explicações. O secretário-executivo da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência, André Lázaro, alegando “motivos pessoais”, entregou uma carta de demissão à ministra da pasta, Maria do Rosário. Lázaro era o chefe da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação, quando foi realizada a edição e distribuição dos livros com erros.

O assunto é muito polêmico. A educação precisa ser reformulada e todos devem entender melhor os valores de uma boa educação, não apenas aquela que recebemos de nossos familiares, mas também aquela que pagamos pra ter. Pagamos sim. Os livros são adquiridos, em parte, com recursos recebidos pelo governo através do recolhimento de impostos. Nós também somos responsáveis pela educação no país. Busquemos nos informar melhor a respeito de como é feita a escolha do livro didático, se a comunidade pode participar, etc., e vamos buscar formas para que isso seja realizado sem prejuízos aos educandos.

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