Falta de Educação

 
 
 
Artigo publicado em "O Popular" - 01.02.2010

Thiago Peixoto

Uma prova cabal da ineficiente política pública adotada na área educacional foi resumida em recente   manchete do POPULAR: “Falta de qualificação deixa 80% fora do mercado de trabalho”. Não existem dúvidas de que o futuro de uma nação nasce pelos caminhos da educação. Portanto, é inadmissível que a Educação, que consome 25% do orçamento dos Estados e municípios, não consiga promover a emancipação socioeconômica de quem dela depende.  

Não temos outro caminho a seguir: a falta de educação tira nossa competitividade na economia global. Sem qualidade educacional não temos a mínima condição de competir internacionalmente. Isto não é um simples recado – é uma urgência imperativa da qual não podemos fugir.    

Não podemos desconsiderar os avanços obtidos rumo à universalização do ensino verificados nos últimos anos. Um avanço quantitativo, mas que não se fez acompanhar da devida qualidade e que hoje resulta numa massa de trabalhadores sem as mínimas habilidades para atender ao mercado de trabalho. No mínimo, um contra-senso à posição de destaque que a economia brasileira vem ocupando e um desafio para garantir o crescimento sustentável do País ao longo do tempo.    

Precisamos de uma política educacional que considere as políticas de inclusão social, passando fundamentalmente pelo mercado de trabalho. Ações que viabilizem a emancipação social, política e econômica da população.
Motivos para justificar a abundante mão-de-obra desqualificada são o que não falta. Falam da má qualidade dos profissionais que saem das faculdades, da escassez ou da má formulação de cursos técnicos e programas públicos e até do aparente desinteresse dos jovens por certas profissões. Mas a origem do problema é muito mais profunda, uma vez que a maioria da população brasileira sai da escola sem saber fazer um cálculo básico e interpretar um simples texto.
    

Estudo realizado pelo Movimento Todos pela Educação aponta que apenas um em cada cinco estudantes do 3º ano do ensino médio em Goiás tem os conhecimentos de língua portuguesa exigidos para esse estágio da vida escolar. O baixo aproveitamento agrava-se em matemática. Menos de um em cada dez estudantes do 3º ano tem conhecimento do conteúdo compatível com o esperado para essa fase dos estudos.    

Frente a esse contexto, a medida mais eficiente é o investimento na educação básica, com atenção especial ao ensino médio, fase onde o aluno desenvolve as principais habilidades para o mercado de trabalho.    

A demanda por mão-de-obra geralmente varia conforme o momento econômico, podendo dificultar o planejamento de programas de treinamento para setores específicos. Mas um trabalhador com boa escolaridade tem mais flexibilidade para aprender coisas novas e transitar de uma ocupação para outra, conforme a necessidade conjuntural.    

O cenário econômico mundial nunca esteve tão favorável ao Brasil, que conquistou a estabilidade econômica, driblou a inflação e superou, como poucos, a recente crise financeira internacional. Entretanto, no mundo global – onde o conhecimento é a indústria com maior potencial –, o mesmo déficit de conhecimento que separa tanta gente do tão sonhado emprego em Goiás poderá impedir o Brasil de alcançar o tão sonhado crescimento duradouro e sustentável.    

Artigo de Thiago Peixoto, Economista e Deputado Estadual(PMDB),  publicado no jornal O Popular dia 01 de fevereiro de 2010.    

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